Questão de tempo
E se hoje for o melhor dia da sua vida?
Peguei o bebezinho no colo e o aconcheguei em meus braços. Senti o peso - quer dizer, a leveza - de um bebê que recém chegou a esse mundo. Já faz 8 anos que meus filhos tiveram esse tamanho.
O tio da criança me olhou nos olhos e, com um sorrisinho no canto da boca, perguntou:
“Saudades?”
Demorei alguns segundos para processar a resposta. Repassei na mente os intermináveis dias em que tive dois bebês recém-nascidos no colo. Dois para acalentar, dois para amamentar, dois para fazer dormir. Ao mesmo tempo. Não foi fácil - nem fisicamente, nem emocionalmente.
Talvez a resposta esperada fosse um imediato “nem pensar! Deus me livre e guarde!”. Ou talvez um emocionado “Sim! Awnnn, que saudade dos meus filhos quando eles tinham esse tamanho!”.
Curiosamente não consegui responder nem uma coisa nem outra. E Acho que sei o porquê.
Aquele talvez tenha sido um dos poucos períodos da minha vida em que estive obrigatoriamente 100% presente no presente. Veja, eu não sou assim. Eu costumo viver em algum lugar do passado, remoendo o que aconteceu e o que poderia ter sido diferente. Também viajo bastante para o futuro, imaginando e criando cenários que possivelmente nunca existirão. Mas quando meus filhos gêmeos eram bebês, não havia espaço para essas viagens no tempo. A realidade me puxou com força para o presente, e eu vivi cada dia como se fosse o último (eu realmente não sabia se sobreviveria ao dia seguinte! Então vivi um dia de cada vez).
E olha o resultado: um presente vivido intensamente, que não deixou espaço para uma saudade pesarosa.
Eu amo rever as fotos e os vídeos dos meus bebês. Gosto de rever as imagens e pensar na Aline que fui naquela época. Gosto de lembrar dos ônus e dos bônus de ter mergulhado intensamente na maternidade. Sem repulsa nem ressentimentos.
E se esse for o segredo de uma vida bem vivida?
E se hoje for o melhor dia da sua vida?
Não espere estar no futuro para olhar pra trás e reconhecer a beleza dos dias bons.
Talvez hoje seja um dia bom, mesmo com todas as limitações e as dificuldades que você está enfrentando. Isso é vida pura - uma mistura bonita de tristezas e alegrias, dificuldades e superação, falta e abundância, ausências e presenças.
O que tenho aprendido é que, o melhor que eu posso fazer, é não fugir do hoje, não recorrer ao passado nem ao futuro como ideais de felicidade plena.
A pergunta que recebi, naquele momento em que estive com um recém-nascido nos braços, foi meu lembrete para me deter no hoje, prestando atenção e desfrutando de cada detalhe, reconhecendo que a beleza mora no olhar de quem se propõe a enxergar. A viver sem buscar uma fuga nas telas ou em pensamentos. Sem idealizar o amanhã. Sem culpabilizar o ontem.
Quem sabe minhas palavras não são um lembrete pra você também?
Habite o presente. “Tente viver cada dia como se fosse o último dia da sua simples (e extraordinária) vida.*
*Essa frase não é minha, mas de um filme maravilhoso chamado Questão de tempo.
Afinal, “quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?”, disse Jesus, o Senhor do tempo, em Mateus 6.27.
“Este é o dia que o Senhor fez; nele nos alegraremos e exultaremos.” Salmo 118.24
Neste dia. Hoje. O melhor dia da sua vida.
Um abraço,







Minha amiga, que lembrete precioso neste seu texto! Te agradeço por perseverar, insistir, escrever o que vai no seu coração. Deus te abençoe 🙏
Lindo texto, Aline. Também tenho buscado estar no presente. É uma luta diária, para não escapar para as viagens no passado e no futuro, não me distrair com o que deveria ter sido e nem com o que será. O melhor lugar do mundo é aqui e agora, como diz o Gil.