Um Deus que trabalha

É domingo e eu resolvi passar a limpo minha lista de tarefas, divididas entre meus jobs como designer, minha atividade de escritora, minha vida pessoal (incluindo casa, marido e filhos) e coisas da minha empresa. Duas páginas inteiras num pequeno caderno. Quando terminei, senti o peso da minha humanidade.
Será que fazer essas listas ajuda a me organizar internamente ou me desesperam, mostrando o quanto não serei capaz de cumprí-las?
Coloquei a mão sobre o caderno e baixei minha cabeça.
“Senhor, a ti entrego esta lista! Por mais hábil que eu seja, não conseguirei dar conta disso tudo. Se o meu sucesso depender da execução dessa lista, estou perdida. Abençoa os meus esforços e multiplica-os. Completa a boa obra em mim e naquilo que me proponho a fazer.”
Por muito tempo eu dei conta de tudo. Mesmo depois de ter uma filha, eu mantinha tudo sob controle. Havia crises, cansaço, insatisfações, mas tudo era administrável. Nada saía muito do lugar.
Mas depois que tive gêmeos, meu amigo, minha amiga… dei de cara com a minha humanidade, finitude, limitação.
Há quem diga que eu faço muito - e de fato, há 8 anos, tenho equilibrado os pratinhos da casa, do casamento, dos filhos, do trabalho e dos meus hobbies. Eu não consigo ser feliz se não tiver ao menos um projeto pessoal rodando em paralelo às minhas obrigações. Pode ser algo simples como organizar as fotos para um álbum, como algo mais demandante como escrever um livro.
Dizem que bebês dão trabalho, mas que, quando crescem, tudo fica mais fácil. Eu digo: depende.
Não tenho mais aquele trabalho braçal de carregar dois bebês que ainda não andam. Ou de trocar fralda, amamentar, alimentar, vigiar o tempo todo… Minhas noites de sono são completas e revigorantes (aleluia!), mas o trabalho se intensificou em outras frentes.
Educar diariamente, com palavras e ações, estar atenta e disponível para enxergar a individualidade de cada um, amá-los separadamente (e não como uma prole) e continuar fazendo todas as atividades rotineiras como trabalhar, cozinhar, lavar, limpar, levar e trazer… ufa! É extenuante.
Eles são o peso que exercitam meus músculos diariamente – e só quem é marombeiro sabe da alegria de se conquistar músculos!
Quando os gêmeos nasceram eu pensei que nunca mais conseguiria sair de casa sozinha com eles – eu sempre precisaria da ajuda de alguém.
Por um tempo foi assim mesmo, mas logo ganhei “músculos”! Hoje faço muito mais do que imaginei que conseguiria, com ou sem ajuda humana.
Agora uma coisa eu entendi: sem a ajuda divina, eu não consigo.
Recorro a Ele quando percebo um vício de caráter num filho. “Senhor, dá-me sabedoria para ensiná-lo, para mostrar seus erros, para conduzi-lo a toda verdade!”
Recorro a Ele quando o cansaço físico é tão grande que me adoece mentalmente. “Senhor, estou cansada e sobrecarregada, alivia minha carga”.
Recorro a Ele quando preciso atender a um filho enquanto trabalho. “Senhor, tu sabes de tudo o que eu preciso, e sabes do que é prioridade nesse momento. Multiplica meu tempo, meus esforços, me ajuda na minha fraqueza.”
Sabe, é muito boa a sensação de dar conta de tudo, de tirar as melhores notas da classe, de manter a pia limpa, a casa organizada, o trabalho em dia. Mas é bom quando o que me falta me leva pra perto de Deus. Ele sim é fonte inesgotável, para Ele nada é impossível! Nenhuma lista é grande demais diante dEle.
Inúmeras vezes na vida vi a ilógica matemática de Deus funcionar. E vou começar a semana confiando de que sua fórmula divina vai me surpreender novamente.
“Porque desde o começo do mundo, nenhum ouvido ouviu e nenhum olho viu um Deus semelhante a ti, que trabalha em favor dos que nele esperam.” Isaías 64.4
Um abraço,
Você costuma fazer listas de tarefas? Elas te deixam mais organizado ou desesperado?



